As perguntas mais frequentes sobre a minha transição para o veganismo

Parte I – O meu caminho até agora

Se não me falha a memória, foi a 23 de agosto que tomei a decisão de mudar a minha alimentação. Para mim, não fazia sentido continuar a sacrificar animais apenas para me alimentar. Foi especialmente por eles que mudei, mais propriamente pela Lima.

Desde essa altura que já passei por várias fases. Entusiasmo, cansaço, dúvida… Na verdade, ninguém pode mudar de um dia para o outro, porque o veganismo não se trata apenas de deixar de comer animais e derivados, é todo um estilo de vida.

E em ambas as vertentes eu ainda estou a mudar.

Em relação à alimentação, tem sido bem simples fazer o meu dia-a-dia em casa apenas com plantas. Não me custa mesmo nada, pelo contrário! Sabe-me mesmo muito bem, estou mais leve, mais ativa. A única dificuldade é no queijo, que ainda como no pré-treino, e nos ovos, que em casa dos meus pais, se forem caseiros, como de vez em quando. Iogurtes e leite foi fácil de deixar, talvez porque existem alternativas saborosas. Já no queijo…🤮

Fora de casa, se alguém me oferecer bolachas, bolo de aniversário ou um chocolate, eu não vou recusar (se me apetecer comer). Mas isso acontece uma vez por mês, se tanto, em viagens de equipa, por exemplo.

Quanto aos produtos de higiene e cosmética, já mudei algumas coisas também.

Tenho optado por produtos cruelty free, ou seja, que não são testados em animais. Neste momento estou a usar um gel de banho, creme de olhosbálsamo labial da Dr. Organic, creme de corpo  e de mãos da The Body Shop e amaciador d’O Boticário. Ontem comprei também o champô e amaciador da Inecto, uma marca que não conhecia, mas que é super acessível e fácil de encontrar.

Os cremes e maquilhagem que tinha, continuo a usar. Seria estúpido deitar tudo fora. E desodorizantes veganos não consigo, porque fico a cheirar mal.

Produtos para a casa, sinceramente, ainda não me informei.

 

Parte II – Daqui para a frente

Esta foi a minha evolução e caminho até agora. Quero eliminar totalmente os alimentos de origem animal, mesmo o queijo, mas não sinto a necessidade de me vir a rotular de vegana, ou seja o que for. Eu acho que as pessoas têm que fazer o melhor por si, e estar de consciência tranquila em relação ao que estão a fazer aos outros e ao planeta.

Se isso passar por reduzir o consumo de carne, já é bom. Se implicar a sua total eliminação, melhor ainda. Se não tivermos que separar sequer os vitelos das vacas para a produção de leite em massa, perfeito.

Vai haver sempre gente a criticar e a julgar. Ora porque não comes animais, mas usas um creme com mel. Ora porque não usas um desodorizante vegano porque não gostas de andar a cheirar a cavalo, mas tem que ser vegano.

Não dá para agradar a todos… e na verdade, estou-me marimbando para as opiniões alheias.

Tenho menos valor por não ser 100% vegana? Eu acho que não, porque tenho a plena consciência que estou a fazer o melhor por mim, pelos animais, pela nossa casa… e que, acima de tudo, me sinto EQUILIBRADA.

 

Parte III – As vossas perguntas
1 – Como explicar as nossas escolhas alimentares aos outros sem entrar em conflito (p.ex.: adotar o veganismo)

Eu acho que o mais importante é mesmo estarmos convictos das nossas decisões e estarmos cientes de que estamos a fazer o melhor por nós. Também é preciso explicar as coisas com calma, sem entrar em fundamentalismos, e ter jogo de cintura e fazer ouvidos moucos, porque vai haver sempre comentários estúpidos como “as plantas também sofrem e têm sentimentos”. Nessas alturas é ignorar. Por outro lado, também acho importante não sermos chatos e falar constantemente das nossas escolhas. As pessoas podem não querer saber.

 

2 – Transição de uma dieta normal (carnívora) para uma vegetariana

No meu caso não houve grande transição a nível de carne e peixe. Eu deixei de um dia para o outro e não custou nadinha nem sinto falta. No entanto, podes fazer uma coisa mais gradual e ir deixando primeiro a carne vermelha, depois a carne branca, depois fazer refeições à base de ovos e peixe e introduzir algumas opções vegetarianas (leguminosas, tofu, seitan, tempeh), até conseguires deixar por completo os produtos animais. Outra coisa que pode ajudar é fazer refeições 100% vegetais em casa, deixando a carne e o peixe apenas para quando vais comer fora.

 

3 – Razões para começarmos uma alimentação vegetariana e alguns incentivos

Como eu disse anteriormente, o motivo tem que partir de nós. No entanto, há quem faça a transição depois de ver alguns documentários, como o Forks over knives, Cowspiracy, Earthlings, What the health, entre tantos outros. Os números também ajudam:

 

 

Mas para mim tudo se resume a isto: qual é a diferença?

diferença

 

4 – O que ouviste dos outros quando decidiste ser vegan?

“Então vais comer o quê?” “Não te esqueças que és atleta, precisas de comer”  “Isso não vai prejudicar a tua performance?”  “Mas porquê?”  “E não vais comer mais peixe, sequer?”. Felizmente também ouvi coisas boas, como “Força, eu apoio-te” “Vai ser a melhor decisão da tua vida” “Admiro a tua coragem” “Quem me dera conseguir também”.

 

5 – Como é ser nutricionista vegan e recomendar carne?

Lido bem com isso. Eu tenho que manter o meu lado profissional e respeitar a pessoa que tenho à frente, os seus gostos, costumes e crenças. Acima de tudo eu sou profissional de saúde e devo zelar pelo bem-estar das pessoas que me procuram. A dieta omnívora pode ser perfeitamente saudável, e é nisso que me tento focar.

 

6 – As maiores dificuldades com que te deparas numa alimentação vegetariana

O comer fora, sem dúvida. São poucos os restaurantes “normais” que têm opções vegetarianas. E quando têm é à base de omeletes, e eu não quero comer ovos de galinhas que vivem em condições miseráveis, enjauladas. Viajar em equipa também é difícil, porque tenho sempre que levar marmita para o almoço e para o jantar. Os aniversários também são complicados, pois normalmente os bolos têm ovos e leite e as pessoas não vão excluir esses alimentos só por tua causa. Nessas alturas como uma fatia pequena por respeito.

 

7 – Mudanças que notaste desde que deixaste de comer animais

Só deixei há pouco mais de dois meses, por isso não sei se já há diferenças propriamente notórias. Mas posso dizer-te que, entre treinos e os novos hábitos alimentares, perdi mais de 3kg. Também não me sinto afrontada depois das refeições, o meu trânsito intestinal funciona muito bem, e sinto-me lindamente por saber que ninguém sofre para eu comer.

 

E então, vamos deixar os animais em paz? 🐂

Beijinhos,

Laranja-lima

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