Diário de uma dona babada

Na semana passada, no dia 14 de agosto, adotámos uma cadelinha ❤️

Era algo que já queríamos fazer há muito tempo, mas nunca chegámos a ir a um canil, e os anúncios sobre cãezinhos a precisar de casa que víamos no Instagram nunca eram na nossa zona.

Acontece que naquela terça-feira, o Zé decidiu ir a uma loja de animais ver um peixe para nós, já que tínhamos em casa um aquário inutilizado, e pronto, assim sempre teríamos um animal de estimação.

E ela estava lá.

Atrás de um vidro 😢 sentada em jornais, na mera companhia de uma bola de futebol de peluche.

 

 

O Zé saiu da loja e mandou mensagem a dizer que tínhamos que a ir ver juntos, que me ia apaixonar (provavelmente ia, não é difícil).

Depois de sair do trabalho, e ainda antes de ver a cadelinha, fomos logo perguntar ao senhorio se podíamos ter animais em casa.

Hesitante, lá disse que sim.

O passo que se segue já devem ter percebido: ir de imediato à loja de animais.

Para nossa surpresa, aquela bola de pêlo fofa estava para adoção. Então foi tipo um sinal. Nós queríamos mesmo adotar, não comprar, por isso nem pensámos duas vezes!

#adoptdontbuy

Falámos com o senhor e ele contou-nos a história de como ela foi lá parar.

Supostamente, o pai, um Bouvier Bernois, cruzou com uma Cocker preta abandonada e nasceram duas cadelinhas lindas, há pouco mais de 2 meses.

Infelizmente (ou felizmente para nós), o dono delas era mecânico e passavam a vida debaixo de carros, cheias de pulgas, e a comer o que os cães grandes comiam.

Por pena, o senhor da loja ficou com elas, tratou delas, e a irmã foi a primeira a ser adotada.

E ainda bem!

Dissemos então ao senhor que queríamos ficar com ela e comprámos logo os essenciais: ração, toalhetes, pias e 2 sprays para a ensinar a fazer as necessidades no sítio certo. Ele ofereceu-nos 2 brinquedos e snacks de recompensa e ela lá veio connosco para casa.

 

Chegada à casa nova

Ainda cheia de medo, e com a tara dos sítios baixos e escuros (suponho que seja por causa daquilo de andar debaixo dos carros), fez da parte de baixo do tanque que temos na lavandaria a sua cama, ainda que tivéssemos posto uma mantinha noutro sítio.

 

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E claro, fez xixi onde bem lhe apeteceu. Estreou-se na sala, em dois sítios diferentes!! Lá fomos nós dizer-lhe que “não” e colocar o spray da repreensão para ela não voltar a fazer ali.

Mas esqueçam lá os jornais no chão, ela é que decidiu onde seria a casa de banho dela. Nós limitámo-nos a ver qual era o sítio mais frequente e passámos a por lá os jornais com o spray de treino em cima. Se foi pelos sprays ou não, não sei, mas felizmente ela escolheu um cantinho da lavandaria, o mais afastado da cozinha, e agora só faz lá as suas necessidades 💩

Lição nº 1: check ✓

 

A escolha do nome

É uma parte super gira de ter um pequeno canito, e nós mal saímos da loja começámos a ter ideias.

Nutri que se preze só sugeria nomes de alimentos: quinoa, goji, lima…

Ambos gostámos de goji, mas para mim não fazia sentido dar o nome de um alimento que eu não adoro a um ser que vou amar!

Então ficou Lima. Ambos achámos que era o nome certo, embora tivéssemos considerado chamar-lhe cidra 😅

No início não ligava nenhuma quando a chamávamos, claro, mas agora já se dá pelo nome!

Lição nº 2: check ✓

 

A primeira noite

Como queríamos que a Lima aproveitasse para estar um bocadinho ao ar livre, fomos passear com ela à noite. Foi tão cobiçada que chegou a ser incomodativo, mas portou-se lindamente, sempre ao colo.

 

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Ao chegar a casa fizemos a desparasitação externa e depois começou o autêntico caos.

New dads, basicamente 😶

Dormimos cerca de 4 horas. Em parte pela ansiedade que não nos deixava dormir, a outra parte porque não aguentávamos ouvi-la chorar.

Eu sei que não se deve, mas acabámos por ceder e fomos acalmá-la, pelo menos, 3 vezes.

A noite lá passou, e veio a manhã com cocós e xixis e a cozinha patanhada (ela tem a mania de passar por cima do xixi, ainda hoje).

Durante 4 ou 5 noites ainda chorava, mas começámos a ignorar, porque senão não íamos ter descanso, e agora porta-se super bem e deixa os donos dormir.

Lição nº 3: check ✓

 

Surpresa aos avós e à tia Lis

No dia a seguir a adotarmos a Lima, como era feriado, os meus pais foram tomar o pequeno-almoço lá a casa porque íamos fazer um piquenique à terra do Zé, com os pais dele.

Então foi limpar tudo, preparar o pequeno-almoço, e fazer-lhes uma surpresa 😄 Obviamente que os meus pais deliraram com aquela bola de pelo. Só um coração frio é que não se derretia com ela.

Quem também foi surpreendida foi a Lis (a tia canita da Lima), que está connosco há mais de 7 anos.

A reação dela já não foi tão boa. Foram 7 anos a ser a mais mimada, por isso ficou meia ciumenta. Foi melhorando e permitindo que a Lima se aproximasse, mas no início até lhe rosnava.

 

O primeiro passeio grande

Como tínhamos o piquenique já combinado, obviamente que quisemos levar a Lima. Não a íamos deixar em casa, embora todos os veterinários com quem falámos (new dads outra vez, a recolher várias opiniões) dissessem que ela não podia andar no chão até ter as vacinas todas.

Mas não andar no chão não significa que não possa ir ao colo 😏

E assim foi.

Pusemos jornais no chão do carro e ela lá foi, sem vomitar nenhuma vez (ufa!).

 

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Parámos nas muralhas de Valença, que são lindíssimas, e mais uma vez a Lima portou-se bem… embora entrasse nas lojas sem mais nem menos 😅

 

 

O maior desafio foi mesmo o piquenique!

Durante o almoço ela ficou sempre no meu colo, mas a Lis também foi, bem como os 2 cães dos pais do Zé (o Simba e a Cuca), por isso ela só queria era brincadeira.

E a muito medo deixámos que ela fosse para o chão, mas sempre em alvoroço quando ela pegava em alguma com a boca. Nos primeiros meses há imensas doenças que os cães podem apanhar e eu não me iria perdoar se ela ficasse doente por nossa causa.

O certo é que correu tudo bem, correu que se fartou, e descobriu o seu brinquedo favorito: folhas secas e ervinhas 🍂

 

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Já vou disse que brincou?

 

 

E que depois ficou tão cansada que dormiu muito?

 

 

E que é uma ternura com umas patorras lindas? 😍

 

Os passeios diários

No terceiro dia connosco, decidimos que íamos fazer 3 passeios diários com a Lima, sempre a seguir às refeições. Não só para ela andar à vontade, mas também para não termos presentes inesperados à nossa espera 💩

Começámos então a acordar meia hora mais cedo e eu passei a vir almoçar a casa todos os dias.

Sim, eu sei que estamos a arriscar e que ela não devia vir à rua ainda, mas acho tão importante ela passear e libertar energia, e habituá-la a fazer as necessidades fora de casa, que pronto, temos feito isso todos os dias.

Acho que estamos é a criar uma rebelde. Grande parte dos nosso passeios são assim:

 

 

Ao menos dá para rir e começar o dia bem dispostos 😄

 

A primeira vacina

Visto que o dono anterior da Lima não queria saber, ela quando veio para nós, já com mais de 2 meses, ainda não tinha vacina nenhuma, então essa foi uma prioridade.

Logo a seguir ao feriado tomou a primeira dose da vacina contra o Parvovírus e fez a desparasitação interna. Daqui a 3 semanas vai outra vez à pica.

 

Fim-de-semana fora

Como sou filha única e saí há 3 anos de casa dos meus pais por questões de trabalho, criei o hábito de ir a casa deles sempre que possível, normalmente ao fim-de-semana. E por ter a Lima não ia ser diferente.

Já sabíamos que ia ser complicado. Não só por ser uma casa nova e isso aumentar a probabilidade de fazer asneiras (que fez), mas porque a Lis não a tinha aceite bem, e a coisa podia correr mal.

Preparámos as marmitas da Lima (nem para nós fazemos isso) e lá fomos.

 

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Explorou cada cantinho da casa, tentou brincar com a tia, mas dá para ver o quão desconfortável a Lis ficou, com um misto de curiosidade, medo e ciúme:

 

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Mas ao longo do fim-de-semana lá se foi habituando à Lima. Já a cheirava quando ela estava a dormir, como se fosse um bebé.

Ainda não brincam juntas, não propriamente, mas é engraçado ver a Lima a imitar alguns comportamentos dela (ladrar à motas, apanhar moscas…).

E quanto à casa, pode-se dizer que algumas passadeiras ficaram um pouco mais cheirosas… e algumas plantas mais roídas.

 

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Casa roída, tudo roído

Depois da primeira semana a ambientar-se, começou a estragação.

A Lima ainda tem aqueles dentes de leite que parecem agulhas e está na fase de roer tudo. Mãos, calcanhares, dedos dos pés, peluches, cadeiras, mesas, garrafões de água, pacotes de leite e até paredes. É verdade, tirou um pedaço de parede 😬

Nós bem que lhe comprámos um osso com sabor a frango, mas aquilo entretém-na durante uns minutos e a seguir já esqueceu.

Enfim, vamos acreditar que é só uma fase 🤞

 

E vale a pena todo o esforço?

Vale.

Vale cada minuto a passar a cozinha com a esfregona (às vezes duas ou mais vezes ao dia).

Cada saco gasto a apanhar cocó (se conhecerem opções mais sustentáveis, por favor partilhem comigo).

Cada xixi ensopado em guardanapos.

Cada asa de garrafão roída.

Cada km percorrido no caminho trabalho-casa só para a ver e passear.

Vale tudo.

 

Ter um amigo de 4 patas é lindo, e eu tenho a sorte de ter duas patudas 🐶

A Lis

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E a Lima

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Mas não se deixem enganar, dá trabalho! E é completamente diferente ter um cão quando são os pais que cuidam dele, e ter um à nossa responsabilidade. É toda uma vida que depende de nós.

E que vida ❤️

 

Beijinhos,

Laranja-lima

 

P.S.: ter a Lima à minha responsabilidade fez-me pensar um bocadinho diferente e deixei de comer tudo o que sejam bebés (cabrito, leitão, vitela, petingas, etc). Deixei também de comer carne de vaca, porque dá cabo do nosso Planeta. E o objetivo é não ficar por aqui 🌍

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